sexta-feira, 7 de março de 2014

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

"i wish knew astronomy
when stars
appear
(minha janela só tem mosquito e pouca estrela,
é uma pena madrugar assim.)"

minha janela nem tem minha
vista
como participação
de existência

ela existe sem mim

se tem estrela ou não
não sei.

e por não saber
não sei se é pena ou não

só sei que é.
que é janela.

que é noite
provavelmente.




terça-feira, 14 de janeiro de 2014

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Pelo romantismo que te destituí de ter
perdi a pouca esperança de surpreender-me.

Pelo romântico que te roubei de ser
desisti da possibilidade de te ver como não vejo.

Por isso que fiz e não devia
me poupei de expressar o óbvio
(eu que sempre expressei o óbvio!)

talvez seja melhor não deixar o óbvio tão nítido

porque a ilusão da surpresa
quando já absolutamente esperada
parece sempre melhor.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Sucumbir ao amor é despencar para fora de si”

Eu achava que tínhamos nos apaixonado aos poucos,
entregado-no-mos aos poucos

- Mas eu catalisei a concretude quando te dei a outra face.

Despenquei em teus braços
à mercê de teus cuidados

Me entreguei por completo,
de uma vez por muitas
E tu me recebeste,
definitivamente.

Me rasguei diante de ti e te mostrei o meu Dentro
como quem pergunta: tens certeza?
E tu te incumbiste de beijar cada ferida.

Eu supliquei por carinho como quem o nega por medo
e tu não me decepcionaste –
afagaste minha alma e exaltaste meu corpo.

Te dei todo meu amor,
em todas as formas a que me pertence
E tu,
mais uma vez,
recebeste-o
de braços abertos
Ou de olhos fechados
para não me enxergares apunhalar-nos.

Hoje,
tento despencar menos para fora de mim
Tento abrir espaço oco
para te alojar,
Inteiro,

bem como te amo.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Quero beber das tuas lágrimas para alimentar minha torrente.
Poderia me reidratar com o que tu expeles em jorro lacrimal.
Usar o teu pranto para fabricar o meu
e te expulsar em choro convulso,
depois te beber de novo,
expulsar,
conter.
Antropofagir-nos,
fundir o resto de cada um,
o resto comum,
que é tudo lágrimas,
e fazer delas mais outras,
em ciclo.
Se meu corpo não mais dispõe de líquido,
me empresto do teu,
derramado face a baixo,
face a dentro da minha,
e te devolvo - toma, bebe, pega
me toma nos braços,
me engole em goles.
Dou-me a ti,
fazes de mim o que quiseres, desde que não queiras farrapos -
mas se forem farrapos pra te envolver,
despedaça-me que eu rodeio teu corpo miúdo, encolhido, desnudo.
Te abraço com os mil braços que não tenho.

Se o que nos une é o resto,
quero dividir até esgotar.
Eternizar o fim até que se esvaia.
A fusão em um, dois, em quantos que somos.
Incontáveis, imensuráveis,
minúsculos em solidão.
Murchos em vazio.

Arrancaram -
arrancou-se de mim
o maior espaço cheio que tinha
A maior coisa do meu cotidiano
em matéria,
pensamento,
Posta em memória
Em saudade,
dor.

e dói.


domingo, 22 de setembro de 2013

esse rio pulsante
que corre sob minha pele
que brota sobre minha pele
ácido
quente
salgado

que abastece meus dedos
minhas pontas
certos pontos interessantes

e que se mantém.

inconstante
em presença certa
inesperada.