segunda-feira, 12 de maio de 2014

Arde a garganta que trava o choro.
Não quero fraquejar.
Não quero ter que ser amparada.
Me mantenho firme em terremoto por dentro.

Os fenômenos de precipitação interna nada tem a ver com o movimento das nuvens.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

obrigada por teres enxergado
além do que meus olhos queriam ver

por teres dado este passo
que eu não teria coragem de dar

agora
forçosamente vi,
nítido: era necessário.

talvez
nossos horizontes
se cruzem
nossos olhares
voltem a se encontrar

acho que sim.

talvez
eu tenha que te apontar
um último otimismo,
como já foi

ou talvez
só quando o movimento for natural
de encontro
nossos olhares se estabeleçam
um dentro do outro.

mas
não fujo mais
da verdade de dentro
pra dentro
de ninguém.




sexta-feira, 7 de março de 2014

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

"i wish knew astronomy
when stars
appear
(minha janela só tem mosquito e pouca estrela,
é uma pena madrugar assim.)"

minha janela nem tem minha
vista
como participação
de existência

ela existe sem mim

se tem estrela ou não
não sei.

e por não saber
não sei se é pena ou não

só sei que é.
que é janela.

que é noite
provavelmente.




terça-feira, 14 de janeiro de 2014

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Pelo romantismo que te destituí de ter
perdi a pouca esperança de surpreender-me.

Pelo romântico que te roubei de ser
desisti da possibilidade de te ver como não vejo.

Por isso que fiz e não devia
me poupei de expressar o óbvio
(eu que sempre expressei o óbvio!)

talvez seja melhor não deixar o óbvio tão nítido

porque a ilusão da surpresa
quando já absolutamente esperada
parece sempre melhor.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Sucumbir ao amor é despencar para fora de si”

Eu achava que tínhamos nos apaixonado aos poucos,
entregado-no-mos aos poucos

- Mas eu catalisei a concretude quando te dei a outra face.

Despenquei em teus braços
à mercê de teus cuidados

Me entreguei por completo,
de uma vez por muitas
E tu me recebeste,
definitivamente.

Me rasguei diante de ti e te mostrei o meu Dentro
como quem pergunta: tens certeza?
E tu te incumbiste de beijar cada ferida.

Eu supliquei por carinho como quem o nega por medo
e tu não me decepcionaste –
afagaste minha alma e exaltaste meu corpo.

Te dei todo meu amor,
em todas as formas a que me pertence
E tu,
mais uma vez,
recebeste-o
de braços abertos
Ou de olhos fechados
para não me enxergares apunhalar-nos.

Hoje,
tento despencar menos para fora de mim
Tento abrir espaço oco
para te alojar,
Inteiro,

bem como te amo.